Presidentes do Brasil e EUA (Bolsonaro e Trump, respectivamente)Foto: Jim Watson/AFP
A convergência entre Estados Unidos e Brasil é sinalizada desde o início do governo Jair Bolsonaro (sem partido), mas tornou-se mais evidente a partir da pandemia do coronavírus (Covid-19), via de regra, com o presidente brasileiro seguindo os passos de Donald Trump. O episódio mais recente ocorreu na última terça-feira (3), quando Bolsonaro definiu os manifestantes antifascistas, que organizam atos contra o governo, como "marginais" e "terroristas", assim como Trump que, no último domingo, afirmou que os EUA os classificarão como terroristas.
"A ideia dos dois é desqualificar essas manifestações. Pegam essa parte que faz atos de vandalismo e hiperbolizam como forma de trazer deslegitimação dos movimentos", avalia o cientista político e professor da Unicap Antônio Lucena. "Bolsonaro tem Trump como um farol que ele segue, isso é extremamente complicado, as realidades dos dois países são completamente diferentes", frisa Lucena.
Priscila Lapa, cientista política e professora da Faculdade de Ciências Humanas de Olinda, alerta que Trump ainda é majoritário nos EUA e começa a ter problema no contexto da pandemia e dos protestos antirracismo, já Bolsonaro, apesar de ainda estar no segundo ano de governo, tem apoio da minoria.
"Todas as tentativas de alinhamento ideológico, uso da truculência de Trump, de ir contra a imprensa, utilizar as redes sociais como mecanismo de comunicação foram empregados por Bolsonaro. Isso cai como uma luva para Trump, mas esse eleitorado não é majoritário no Brasil, a agenda ideológica ainda não está afirmada no País", destaca.
Sincronia
Poucos dias após a primeira confirmação de Covid-19 nos EUA, Trump falou que a situação estava "sob controle". No Brasil, Bolsonaro categorizou a pandemia como "gripezinha", chamou o alarme sobre o vírus de "histeria" e afirmou, em meio à escalada de mortos, que "o pior já passou".
Ambos também entraram em conflitos com governadores, tendo como plano de fundo a tentativa de se impor como autoridade máxima do País durante a pandemia. O objetivo dos dois é encerrar o isolamento social, sob a justificativa de que "a cura não pode ser pior que a doença". A cloroquina é mais um ponto de convergência. Trump, inclusive, afirmou que tomou o remédio como prevenção ao coronavírus. E Bolsonaro ampliou o uso no SUS, apesar de não haver eficácia comprovada cientificamente.
Na opinião dos especialistas, esse alinhamento exacerbado pode trazer problemas ao Brasil. "O Brasil tem adotado posição errática nas relações internacionais, até certo tempo não fez parte da coalizão de pesquisa para vacina. Os EUA também não, mas eles têm complexo farmacêutico próprio, enquanto o Brasil investe cada vez menos em pesquisa", diz Lucena. "Acho que Trump olha com muito desdém, ele não superdimensiona essa aliança como Bolsonaro faz. É uma relação muito mais vantajosa para os EUA, quem determina o estilo da parceria são eles", acrescenta Priscila.
Fonte: Blog da Folha














.gif)













