Bolsonaro diz se arrepender de falas sobre a Covid

O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse nesta segunda-feira (12) que se arrependeu de algumas declarações suas durante a pandemia de Covid-19. Em entrevista aos podcasts cristãos Dunamis, Hub, Felipe Vilela, Positivamente, Luma Elpídio e Luciano Subirá, lamentou as falas e disse que “não falaria de novo”.

No momento da declaração, Bolsonaro comentava a fala de um dos apresentadores do podcast de que algumas das suas declarações sobre a doença “não pegaram legal”.

Leia abaixo como foi o diálogo:

Felipe Vilela:

  • “Presidente, mas houveram algumas falas assim que não pegaram legal”.

Bolsonaro:

  • “Vamos lá, fala aí”.

Felipe Vilela:

  • “Tanto a ‘não sou coveiro’, ‘na casa da sua mãe’…”

Bolsonaro:

  • “Eu dei uma aloprada sim, eu perdi a linha”.

Teófilo Hayashi:

  • “O senhor se arrepende?”

Bolsonaro:

  • “É lógico, aí eu me arrependo. Eu parei de falar com a mídia, porque, o seguinte, os caras batiam na tecla o tempo todo e eu não percebi que queriam me tirar do sério”.

O candidato do PL disse ainda que a declaração sobre “virar um jacaré” depois de tomar a vacina foi uma “figura de linguagem” e que poderia não ter feito o comentário.

Destacou também não estar “zombando” das pessoas quando imitou ter falta de ar ao falar das vítimas da Covid. O assunto foi mencionado pelo apresentador William Bonner, durante a sua sabatina no Jornal Nacional, da Rede Globo.

A pergunta de Vilela é em referência às declarações de Bolsonaro de que não era “coveiro”, quando questionado sobre o número de mortos pela Covid, e quando ironizou cobranças por mais vacinas: “Só se for na casa da tua mãe”, disse à época.

Racismo

O presidente também negou aos apresentadores do podcast as acusações de racismo. Durante o programa, Bolsonaro se dirigiu a Vilela, um homem negro, e disse: “Tu é afrodescendente? Tu é meio escurinho, né?”.

Mais cedo no programa, o chefe do Executivo chamou o apresentador de “gordinho moreninho”. O presidente perguntou a Vilela se o apresentador nunca ouviu falar que ele era “racista”.

Bolsonaro usou como argumento para dizer que não é racista ter salvado um homem negro de se afogar durante a sua carreira de militar. Também voltou a dizer que seu sogro, pai da primeira-dama Michelle Bolsonaro, é negro.

Mulheres

Bolsonaro também tentou se redimir de quando chamou a sua filha Laura Bolsonaro de “fraquejada” e disse que pisou “na bola”. O presidente também fez elogios a Michelle e à sua participação em sua campanha.

Também criticou a candidata à Presidência Simone Tebet (MDB) por ter entrado com uma ação contra Michelle no Tribunal Superior Eleitoral. Tebet pediu para que fosse retirada do ar uma propaganda de Bolsonaro em que a primeira-dama aparece.

“Uma mulher que diz que vai defender as mulheres, mas entrou com uma ação contra uma mulher”, declarou o chefe do Executivo.

Eleitorado cristão

A entrevista de Bolsonaro aos podcasts cristãos é também uma forma de agradar ao eleitorado evangélico, um dos seus maiores apoiadores. O público que se identifica com essas ideias –mais ligadas à direita– pode ser o suspiro que o presidente precisa para avançar sobre o adversário Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas de intenção de voto. E essa estratégia já está sendo traçada nos bastidores, com aceno às mulheres e ao público evangélico.

Para comparecer ao programa, Bolsonaro faltou à posse da nova presidente do Supremo Tribunal Federal, a ministra Rosa Weber. Ministros de seu governo tentaram convencê-lo a ir ao Supremo, mas o presidente optou por manter a entrevista.

Via PE Notícias

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