PL: “Casamento” em Brasília, divisão em Pernambuco


O presidente Jair Bolsonaro se filiou ontem ao Partido Liberal (PL). O ato de assinatura da ficha de filiação foi realizado durante uma cerimônia promovida pela legenda em Brasília. Eleito em 2018 pelo PSL, Bolsonaro deixou o partido em novembro de 2019 e não estava filiado a nenhum partido. A condição é necessária para a disputa das eleições gerais de 2022. Até o momento, a eventual candidatura do presidente à reeleição não foi oficializada.

Durante o evento, Bolsonaro destacou que a cerimônia foi uma simples filiação ao partido e que não estava “lançando ninguém a cargo nenhum”. “Estou me sentindo aqui em casa, dentro do Congresso Nacional, aquele plenário da Câmara dos Deputados, tendo em vista a quantidade enorme de parlamentares aqui presentes. Vocês me trazem lembranças agradáveis, lembranças de luta, de embate, mas, acima de tudo, momentos em que nós, juntos, fizemos pelo nosso país. Eu vim do meio de vocês. Fiquei 28 anos dentro da Câmara dos Deputados”, disse. Também assinaram a ficha de filiação o filho, o senador Flávio Bolsonaro e o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho.

Anderson

O prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PL), esteve em Brasília para participar da filiação do presidente Jair Bolsonaro ao PL, sigla que o gestor municipal preside em Pernambuco. O gesto joga luzes sobre a aliança entre Anderson e a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB) – opositora do Governo Bolsonaro – já que as duas figuras caminham lado a lado na construção de uma chapa majoritária para as eleições de 2022 no estado.

Uma das exigências de Bolsonaro para se filiar ao PL era o poder de influência nas definições de alianças do PL nos estados. Em São Paulo, por exemplo, o Partido Liberal caminhava para apoiar Rodrigo Garcia, integrante do PSDB, partido que tem como uma das figuras principais o governador de São Paulo João Doria, um dos principais desafetos políticos de Bolsonaro no país. Com a chegada do presidente à legenda as movimentações serão, possivelmente, modificadas para beneficiar a candidatura de Bolsonaro. Em Pernambuco, o cenário é semelhante com Anderson Ferreira aliado à prefeita de Caruaru, Raquel Lyra.

Impasse

Anderson e Raquel lideram o movimento Levanta Pernambuco, que, além de PL e PSDB, também é formado por PSC e Cidadania. Com o intuito de pôr fim à permanência do PSB no comando do estado, o grupo tem como principais opções para a corrida pelo Palácio do Campo das Princesas os dois prefeitos. Contudo, Raquel, presidente do PSDB em Pernambuco, integra a ala opositora ao governo Bolsonaro, o que pode leva-la a não apoiar um aliado bolsonarista.

A reportagem tentou entrar em contato com as assessorias de Raquel Lyra e Anderson Ferreira, mas não obteve resposta. Diante do silenciamento de ambas as partes, as incógnitas se sobrepõem escancarando o cenário de indefinição.

Via PE Notícias

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